te vejo em filmes que nunca assisti, te sinto em músicas que nunca escutei, te dedico palavras que nunca escrevi. te invento na minha mente e te agradeço por existir. caminho contigo sem direção, só pelo prazer de dividir passos com você. consigo ler o que podemos ser, mesmo sem ter nada escrito. você é tão especial que só a possibilidade de nós já é poesia.
guardo dentro do peito uma versão sua que eu inventei, vasculho dentro de mim anos de histórias rascunhadas, em busca de de algo que me ajude a escrever o próximo capítulo, terminar o que comecei. não me lembro onde parei. vivo num limbo onde lembrar é tentar esquecer, caminho dando passos pra trás, fazendo do passado o meu presente. rascunhando um futuro improvável usando versos do que já fomos. te peço a certeza, e recebo reticências. procuro um ponto final, mas só encontro pontos de interrogação. queria contar nossa história, mas não lembro como começa, e não sei como termina. somos um livro cujas ultimas páginas foram destruídas pelo tempo.